A Aldeia dos Anjos
A Aldeia dos Anjos
Conta-se que em meados do séc. XVIII existiu uma aldeia , na qual o cacique Caraibebe era conhecido por "Anjo" pelos padres jesuítas a serviço da coroa de Portugal.
Alguns historiadores relatam que o chefe indígena dos "Carijós", era conhecido também por Grande Anjo, Caribe, ou ainda Caribebe Guaçu.
Sua aldeia era a Aldeia de Caibi, situada um pouco ao norte de Porto Alegre. Os índios desta aldeia aparecem com o nome de Anjos.
Entre outros nomes, o chefe indígena também era chamado Pindoboçu e Cotiguara, bem como Ara Abaeté, expressão guarani que o padre Sequeira traduz como "Dia do Juízo.."
O chefe anjo tinha um filho chamado Ocara Abaaté, ou Terreiro Espantoso, segundo a tradução dos padres portugueses. Ocara Abaaté era profeta e feiticeiro, dominador de tigres, tinha mulher e dois filhos e alardeava poderes miraculosos. Conta a lenda que seus filhos já nasciam com dentes e falando.
Outro grande chefe era Papagaio , parente de Anjo, porém menos poderoso. O padre Inácio Sequeira buscava catequizá-los, mas desistiu do intuito quando descobriu que os obiianguaras eram responsáveis pelo assassinato do padre jesuíta castelhano Cristóvão de Mendonça.
O grande cacique , para explicar seus pretensos milagres, costumava dizer que, embora nascido de mulher, não era filho de homem, mas de um anjo, daí fazer chamar-se assim...
O reinado do grande Anjo deve ter abrangido um período superior a vinte anos, pois em 1617 já era famoso, reinando absolutamente no nordeste sul- rio- grandense, inspirando respeito ou até mesmo temor aos jesuítas e aos portugueses, ao contrário do seu parente, o grande Papagaio, que teve sua tribo dizimada pela ação predatória dos bandeirantes caçadores de índios para a escravidão das lavouras de cana - de açúcar de São Vicente e do Rio de Janeiro.
Em 1635 o poder e o prestígio do Grande Anjo permaneciam inalterados, época em que os jesuítas portugueses se retiraram do Rio Grande, definitivamente.
Os documentos jesuíticos não fixam com exatidão a aldeia do Grande Anjo ou Aldeia dos Anjos, aquela mesma que os padres chamavam Caíbi. Sabe-se apenas, que ficava um pouco ao norte da atual Porto Alegre. É assim, que se identifica na Gravataí de hoje a Caíbi do passado.
Início da Aldeia
No dia 08 de abril de 1763, chegava ao rincão o capitão Dragão Antônio Pinto Carneiro, conduzindo uma leva de 1.000 índios, procedentes de Rio Pardo, sendo originários dos Sete Povos das Missões.
Antônio Pinto Carneiro lançou os fundamentos da Aldeia. Aqui, havia uma modesta capela, existindo já índios agrupados.
Em 1768, o governador Custódio de Sá e Farias empregava os índios em diversas atividades.
Solicitou ao vice-rei Conde da Cunha que destinasse um salário aos índios, mas sua solicitação não foi acolhida.
De 1765 a 1768, foram batizados, na aldeia, 122 crianças descendentes de índios e brancos, provenientes das missões de São Nicolau, São Borja, São Miguel, São Lourenço, Santo Ângelo, São João, São Luís e Japeju.
Em 1770, foi fundada uma escola, destinada a instruir os meninos indígenas, tendo como professor Antônio José de Alencastro.
Em 1773, criou-se a caixa em comum dos povos guaranis, disciplinando o seu funcionamento. Foi criada a irmandade do Santíssimo Sacramento, uma fazenda entre o mar e a lagoa dos patos, supria de carne o povo daqui.
No ano de 1778,houve a criação de um educandário para o ensino de meninas denominado Escola Mirante das Recolhidas das Servas de Maria, sendo diretora D. Gregória Rita Coelho de Mendonça.
A escola acolhia 50 meninas índias, de 12 a 16 anos, recebiam roupas e alimentos, tendo horário para estudo, refeições, rezas, aprendendo a tecer, costurar e fiar. No alojamento era proibido falar o guarani, somente o português era permitido.
Em 1795, a aldeia desmembrou-se da Freguesia de Viamão, através de Alvará, de 22 de dezembro, passando à categoria de freguesia, sendo anexadas às terras à direita do rio Gravataí, desde a nascente até a foz.